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Mostrando postagens de dezembro, 2021

Paquetá. Ou: do futebol como arte em si.

Importa pouco se uma arte é "efetiva". Um predicativo semelhante pertence ao campo da indústria e da caça, não ao da arte. Aliás, pertence-lhe, mas por analogia: efetividade relativa. Todo efeito da arte é, assim, imprevisto, não há "efetividade" em ponto grande nela.  O escritor esquece o que planejou (nos seus cadernos e agendas) perante a obra terminada - porque nada há sem a escrita, mas tudo se arranja sem o caderno, que é serviçal e não chega a senhor de nada. O resultado dum grande drible e dum  flair  fascinante não é a vitória de 4 a 0. E assim caminha Paquetá. Como um avião de (da esquadria da fumaça), ou como a rainha, que faz menos peças que a torre, e que se não ganha não deixa de ser a mais bela em jogo.  Penso que devamos nos explicar com menos generalidades, guardadas as devidas diferenças do xadrez para a  arte feérica . É que este blog crê que um clube não possui compromissos nenhuns com o placar. Nem o seu artífice, o jogador, tem para com ele...